Na semana passada, o SIMPI alertou os prestadores de serviço sobre os impactos da Reforma Tributária, especialmente em relação aos créditos de IBS e CBS. Agora, o alerta é direcionado a outro grupo que precisa se preparar desde já: MEIs e empresas do Simples Nacional que prestam serviços ou vendem para outras empresas.
Com a Reforma Tributária, médias e grandes empresas devem passar a olhar com mais atenção para um ponto que pode pesar na hora da contratação: o crédito tributário. Na prática, quando uma empresa compra um produto ou contrata um serviço de um fornecedor que gera crédito, ela pode abater parte do imposto que teria que pagar. Isso faz diferença no custo final da operação e pode influenciar diretamente na escolha de fornecedores. O problema é que, em muitos casos, o MEI e a empresa do Simples Nacional não geram esse crédito da mesma forma que uma empresa enquadrada no regime regular. Com isso, o pequeno empresário pode acabar ficando menos competitivo diante de clientes maiores. A preocupação é simples: uma média ou grande empresa pode avaliar um pequeno prestador de serviço e concluir que o trabalho é bom, o preço é justo, mas que aquele fornecedor gera menos vantagem tributária.
Nesse cenário, a escolha por outro prestador pode acontecer não pela qualidade do serviço, mas pelo impacto tributário da contratação. Por isso, quem atende cliente pessoa jurídica precisa olhar para esse tema com atenção. Não basta apenas saber quanto cobra pelo serviço. Será necessário entender quem são os principais clientes, se eles aproveitam créditos tributários, qual será o impacto da reforma sobre esses contratos e se o preço continuará competitivo dentro da nova realidade.
Outro ponto importante é que as empresas do Simples Nacional terão que avaliar, com orientação técnica, se continuam recolhendo IBS e CBS dentro da guia única ou se vale a pena optar pelo regime regular para esses tributos. Essa decisão, no entanto, não pode ser tomada no improviso. Em alguns casos, sair da lógica tradicional do Simples para gerar mais crédito ao cliente pode parecer vantajoso comercialmente, mas também pode aumentar a carga tributária da própria empresa. Ou seja, a decisão errada pode comprometer a margem de lucro e colocar o negócio em risco. Também é preciso atenção ao calendário. Neste ano, a opção pelo Simples Nacional para 2027 será feita em setembro, e não em janeiro, como normalmente acontecia. O prazo será de 1º a 30 de setembro de 2026. Por isso, o empresário não deve deixar essa análise para a última hora. O recado do SIMPI é claro: o pequeno empresário precisa se antecipar. Converse com seu contador, organize suas notas fiscais, revise seus custos, entenda seus contratos e avalie como seus clientes serão impactados pela nova regra. A Reforma Tributária está chegando, e informação será uma das principais formas de defesa dos MEIs, micro e pequenas empresas.
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