Postado em 17/06/2026
inflação cai preço sobe
A desaceleração da inflação observada nos últimos meses não tem sido acompanhada por uma redução equivalente no custo do crédito. Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) esteja se aproximando da meta inflacionária de 3%, empresas e consumidores ainda enfrentam taxas elevadas para obtenção de financiamentos e empréstimos. A redução da inflação tem sido influenciada, entre outros fatores, pelo comportamento dos preços dos alimentos e bebidas. O aumento da oferta agrícola, impulsionado por safras mais volumosas, contribui para a redução dos preços de algumas commodities e, consequentemente, para o controle dos índices de preços ao consumidor. Apesar desse cenário, a taxa Selic permanece em patamar elevado. A manutenção dos juros básicos está relacionada a fatores internos e externos que continuam sendo monitorados pelo Banco Central. Entre eles estão as condições da economia internacional e as decisões de política monetária adotadas por bancos centrais de países como Estados Unidos, Japão e integrantes da União Europeia. A possibilidade de manutenção ou elevação das taxas de juros em economias relevantes influencia o ambiente financeiro global e pode levar autoridades monetárias brasileiras a adotar uma postura mais cautelosa em relação à condução da política monetária. Como consequência, os custos de financiamento permanecem elevados. Outro fator que impacta o crédito no país é o nível de endividamento e inadimplência das famílias. Esses indicadores influenciam a avaliação de risco realizada pelas instituições financeiras e contribuem para a manutenção de taxas mais altas nas operações de crédito. Esse contexto afeta diretamente o capital de giro das empresas, especialmente dos pequenos negócios, que dependem de recursos financeiros para manter suas operações e investimentos. Diante desse cenário, uma das medidas adotadas pelas empresas é o fortalecimento da gestão do capital de giro. O acompanhamento das entradas e saídas de recursos permite maior controle sobre o fluxo de caixa e auxilia no planejamento financeiro. A administração dos estoques também ganha relevância em períodos de crédito mais caro. Estoques elevados podem representar recursos financeiros imobilizados, reduzindo a disponibilidade de capital para outras necessidades operacionais. A renegociação de prazos com fornecedores é outra estratégia utilizada para adequar o fluxo financeiro às condições de mercado. A análise das condições de pagamento e dos custos embutidos em parcelamentos pode contribuir para decisões mais alinhadas à realidade financeira da empresa. Além disso, investimentos voltados ao aumento da produtividade podem auxiliar na redução de custos operacionais e na melhoria da eficiência dos processos produtivos. Embora fatores como inflação, taxa Selic e custo do crédito estejam sujeitos a condições econômicas mais amplas, a gestão financeira, o controle operacional e o planejamento estratégico permanecem entre os principais instrumentos à disposição das empresas para enfrentar períodos de juros elevados. Assista:
