Postado em 19/08/2025
Pense!

O economista Luís Artur Nogueira apresentou uma análise sobre os efeitos do tarifaço adotado pelo governo de Donald Trump e suas implicações para a economia mundial e para o Brasil. O tema central é a política de reindustrialização dos Estados Unidos e seus impactos diretos no comércio internacional, especialmente para as micro e pequenas indústrias brasileiras.
A Estratégia de Trump consiste em elevar as tarifas de importação para reduzir a dependência de produtos fabricados no exterior, com foco na China. O caso da Apple é citado como exemplo, uma empresa norte-americana que produz seus iPhones em território chinês e que, diante da nova política, teria de optar entre manter a importação de produtos mais caros ou transferir parte da produção para os Estados Unidos. Essa decisão, de acordo com a análise, tende a gerar inflação no mercado interno americano, já que os preços dos produtos importados aumentam, criando desafios adicionais para o Banco Central do país. No cenário global, Nogueira destacou que a redução do comércio com os Estados Unidos impacta diretamente o crescimento da economia mundial. Antes da adoção do tarifaço, a previsão para 2025 era de 3,3% de crescimento do PIB global; após as medidas, a estimativa foi revista para 3%. Para o Brasil, inicialmente, a taxação imposta foi de 10%, percentual menor que o aplicado a outros países. Contudo, a posição do Brasil na reunião dos BRICS no Rio de Janeiro, marcada pelo anúncio de transações comerciais sem o uso do dólar e pela aproximação com países em oposição aos Estados Unidos, levou à elevação da tarifa para 50%. Ainda de acordo com a análise, setores estratégicos conseguiram exceções, como os exportadores de suco de laranja e a Embraer, que continuam sujeitos a apenas 10% de tarifa. No entanto, muitas empresas brasileiras não foram contempladas e passaram a enfrentar o patamar de 50%, o que compromete as vendas ao mercado norte-americano. No curto prazo, a saída envolve medidas do governo brasileiro, como a oferta de crédito subsidiado e a compra direta de produtos dessas empresas, além da necessidade de buscar mercados alternativos. Apesar dos efeitos pontuais sobre exportadores, o economista avaliou que o impacto sobre o crescimento do Brasil será limitado, dado que a economia nacional depende majoritariamente do mercado interno. A previsão de expansão em 2025 permanece em torno de 2%. Para Nogueira, a principal lição que se extrai do episódio é que micro, pequenas e médias indústrias devem diversificar seus destinos de exportação, evitando dependência de um único país. Ele também mencionou o risco de concentração das vendas para a China, lembrando que, embora o atual impasse tenha origem nos Estados Unidos, eventuais conflitos comerciais futuros podem vir de outros mercados. Assista: