Postado em 10/09/2025
PIB desacelera

A análise do desempenho econômico brasileiro no segundo trimestre de 2025 aponta para uma desaceleração do crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou alta de 0,4% em relação ao trimestre anterior, resultado inferior ao registrado nos primeiros três meses do ano, quando houve crescimento de 1,4%, impulsionado principalmente pelo agronegócio. No segundo trimestre, o setor agrícola recuou 0,1%, enquanto a indústria teve avanço de 0,2%, sustentado pela indústria extrativa, ao passo que a indústria de transformação e a construção civil apresentaram retração. O setor de serviços registrou crescimento entre 0,5% e 0,6%, mantendo um desempenho estável mesmo diante das taxas de juros elevadas. Roberto Dumas, professor do Insper, destacou que a desaceleração já era esperada, conforme indicado nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom), que prevê manutenção da taxa Selic em 15% por um período prolongado em razão da inflação desancorada. A meta oficial de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional, não deve ser alcançada em 2025, com projeções do mercado apontando para um índice próximo de 4,8%. Para 2026, a expectativa também permanece acima da meta, em torno de 4,3%. Com juros elevados, a previsão é de que o crescimento econômico desacelere nos dois trimestres restantes de 2025, encerrando o ano com expansão entre 2% e 2,2%. Dumas observou ainda que o cenário internacional influencia o ritmo da economia brasileira. Países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Bélgica, Itália, Grécia e Japão apresentam dívida pública superior a 100% do PIB, e, na Europa, os investimentos adicionais em segurança demandados pela OTAN devem pressionar ainda mais as contas públicas, o que tende a manter as taxas de juros globais elevadas e reduzir o crescimento mundial em comparação ao período pré-pandemia. No contexto interno, a expectativa é de um crescimento moderado em 2025, com atenção para o impacto das eleições de 2026. Em períodos eleitorais, o aumento dos gastos governamentais pode gerar elevação na curva de juros futuros, afetando o investimento privado. No segundo trimestre deste ano, a Formação Bruta de Capital Fixo recuou 2,2%, evidenciando menor investimento. Seria desejável uma redução no consumo e um aumento dos investimentos, de forma a reduzir a diferença entre o PIB potencial e o efetivo e aliviar pressões inflacionárias. A expectativa é que a taxa básica de juros permaneça próxima de 15% no curto prazo, com possibilidade de cortes graduais apenas no início de 2026. Assista:
Fonte: Crescimento do PIB desacelera no segundo trimestre e juros devem permanecer elevados